sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ICMS ECOLÓGICO: A Oportunidade do Financiamento Ecológico no Brasil.

O ICMS Ecológico é um mecanismo que possibilita aos municípios acessarem recursos financeiros do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e serviços (ICMS), a partir da definição, em leis estaduais, de créditos ambientais para a repartição de parte da “quota-parte” que os municípios tem direito de receber como transferências constitucionais.
Essa oportunidade aproveita o disposto no inciso II, do artigo 158 da Constituição Federal, que define poder de os estados legislarem sobre até 1/4 do percentual a que os municípios têm direito de receber do ICMS. A saber:
Pertencem aos municípios:
IV - Vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto no estado sobre operações relativas à circulação de mercadoria e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.
O Paraná foi o primeiro estado brasileiro a utilizar esse dispositivo, com a aprovação da legislação em 1991, outros 12 estados aprovaram a legislação, são: Paraná, São Paula, Minas Gerais, Rondônia, Amapá, Rio grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Tocantins, Acre, Rio de Janeiro e Goiás.
Outros temas ambientais também  estão contidos nas legislações, tais como: coleta, processamento e destinação adequada do lixo, conservação do patrimônio histórico, dos mananciais de abastecimento e dos solos, controle de queimadas e combate a incêndios florestais, e organização de sistemas municipais de meio ambiente.
As ultimas e mais modernas legislações sobre o ICMS Ecológico estabelecem que para obter acesso a tais recursos, os municípios necessitam ter, como pré-requisitos, estruturas adequadas à gestão ambiental local. Na realidade, isso se constitui numa demanda da sociedade, que não vê justificativa no fato de um município receber recursos em função de créditos ambientais e não dar tratamento adequado à gestão ambiental no próprio município. Aliás, o ICMS ecológico tem sido um grande aliado do gestor ambiental local, que vê no momento em que entra o recurso no município à oportunidade de financiamento das demandas de sua pasta de trabalho. Diante disso, por esse critério, é recomendável que não sejam enviados recursos financeiros aos municípios que não possuam um mínimo de instrumentos locais, tais como:
Conselho Municipal de Meio Ambiente.
Fundo Municipal de Meio Ambiente.
Organização executiva mínima, essencial para uma adequada gestão ambiental.
Outros instrumentos que forem julgados essenciais, caso a caso.
Recomenda-se, ainda, que haja um processo de planejamento local com vista à gestão ambiental, que tenha conexão com outros instrumentos, tais como o Plano Diretor, a Agenda 21 Local, e iniciativa da comunidade, enfim, as ações devem ter complementaridade, visando à otimização e à efetivação das ações.
Porto dos Gaúchos está próximo a concretizar esta realidade, já se encontra atuante em nossa cidade a Secretaria de Meio Ambiente e o Conselho Municipal de Meio Ambiente que contém um fundo para arrecadação de recursos e integrada com 16 conselheiros, coordenados Pelo Vice Prefeito Mario Henrique Lara Ferreira que vem realizando ótimos trabalhos nas questões ambientais municipais, e logo em breve a sociedade estará colhendo bons frutos a partir dessas ações.

FONTE: Série Financiamento e Fomento ambiental no Brasil, volume 2, Brasília: Rede Brasilaira de Fundos Sócioambientais, 2008.         

PAGAMENTOS POR SERVIÇOS AMBIENTAIS UMA REALIDADE DE UM FUTURO PRÓXIMO.

    A Amazônia abrange a maior floresta tropical e uma das ultimas grandes fronteiras de colonização do mundo.  A expansão agrícola traz benefícios substanciais a moradores locais e contribui para o desenvolvimento da região Por outro lado, o avanço da fronteira agrícola compromete os processos e as funções intrínsecos ao bioma Amazônia que contribuem para a sustentabilidade da vida no planeta. O valor destes serviços ambientais providos pela fronteira é consideravelmente alto, tendo em vista os grandes riscos ambientais associados à sua perda. Por exemplo, a Floresta Amazônica contém em quantidade de carbono armazenada o equivalente a uma década e meia de emissões antropogênicas globais e, portanto, apresenta um papel fundamental na regularização do clima global (Soares Filho et al. 2006). A Amazônia também representa prioridade mundial para a conservação de biodiversidade.
     A Amazônia legal registrou os mais altos índices de desmatamento nas duas ultimas décadas. Desde a década de noventa, o governo brasileiro passou a reconhecer a necessidade de conservação dos serviços ambientais providos pela Floresta Amazônica e vem implementando ambiciosos programas de conservação da floresta na região. Atualmente, em terras públicas as áreas protegidas representadas por Unidades de Conservação – UC e Terras Indígenas – TI ocupam mais de 40 % do território da Amazônia Legal. Em terras privadas, a legislação ambiental estabelece como áreas de preservação ambiental as Reservas Legais, que na região amazônica devem equivaler a 80 % da superfície total de propriedades particulares, e as Áreas de Preservação Permanente – APP.
     Recentemente, a crescente preocupação com o aquecimento global veio reacender a temática do desmatamento em arenas de debate Internacional como a 13ª Conferência da Partes – COP 13 sobre as Mudanças Climáticas, em 2007. Paralelamente, observa-se que vários países no mundo já vêm experimentando novas abordagens de gestão ambiental. A Costa Rica foi um dos primeiros países a implementar esquema de Pagamentos por Serviços Ambientais – PSA para conservação de florestas. No Brasil o Programa de Desenvolvimento Sócio Ambiental da Produção Familiar Rural – Proambiente realizou experiências pioneiras, mas ainda incipientes com compensações comunitárias pela prestação de um conjunto de serviços ambientais para pequenos produtores na Amazônia. Mais recentemente, foi instituído o programa Bolsa Floresta no estado do Amazonas com enfoque na redução do desmatamento em unidades de conservação.
     A literatura estabelece o conceito de PSA como:
     1- uma transação voluntária, na qual
     2- um serviço ambiental bem definido ou um uso da terra que possa assegurar este serviço
     3- é comprado por, pelo menos, um comprador
     4- de, pelo menos, um provedor
     5- sob a condição de que o provedor garanta provisão deste serviço.
    Os esquemas de PSA florestais documentados até hoje, na maioria das vezes, se encaixam em uma ou  várias das seguintes categorias (Landell-Millis e Porras, 2002):

        1. CAPTURA E RETENÇÃO DE CARBONO

Exemplo: captura e retenção de carbono por vegetação em crescimento, ou a retenção de carbono no solo e vegetação.
Benefício pelo qual se paga: efeito de mitigação das mudanças climáticas causadas por emissões antropogênicas.

        2.    BIODIVERSIDADE

Exemplo: Regulação e estrutura do ecossistema, diversidade genética e de espécies.
Benefícios pelo qual se paga: valor de opção (uso fruto) e existência (conhecimento da existência e importância).

 3. PROTEÇÃO HÍDRICA

Exemplo: purificação da água, regulação de fluxo e sedimentação.
Benefícios pelo qual se paga: qualidade e quantidade de água.

       4.    BELEZA CÊNICA

Exemplo: paisagens naturais (e, em alguns casos, culturais).
Benefícios pelos quais se paga: recreação e opções para turismo.

     Por representarem as oportunidades mais frequentemente discutidas no contexto da Amazônia, este trabalho limita-se a analisar PSA relacionados a carbono e biodiversidade. De maneira local, PSA são definidos como pagamentos diretos aos provedores de serviços, em contraposição a “PSA internacional”, em que um país ou entidade administrativa receberia pagamentos para implementar políticas voltadas à provisão de serviços ambientais sob seu domínio. Os PSA internacionais estão sendo discutidos como medidas para o desmatamento evitado ou Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal – REDD. Recursos internacionais que viabilizam REDD poderiam, também, financiar pagamentos em âmbito local, mas uma grande parte seria aplicada pelos governos para reforçar mecanismos de comando e controle, de forma a assegurar a conservação ambiental em áreas com baixa governança.

FONTE: Pagamentos por serviços ambientais: perspectivas para a Amazônia Legal/Sven Wunder, Coordenador; Jan Borner, Marcos Rugnitz e Ligia Pereira.- 2ª ed., rev.-Brasília: MMA, 2009.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Novo Código Florestal, Benefícios ou Malefícios?

O código florestal Nacional já existe há 76 anos, criado pelo decreto nº 23.793, de 23/01/1934, resultou de um anteprojeto elaborado e autarquia criada em 1921 e subordinada ao então Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio.                                                                  
Aquele diploma legal assim determinava: Art. 1º “As florestas existentes no território nacional, consideradas em conjunto, constituem bem de interesse comum a todos os habitantes do país, exercendo os direitos de propriedade com as limitações que as leis, em geral, e especialmente este código, estabelecem.” Em decorrência das dificuldades para a implementação do código de 1934, elaborou-se proposta para um novo diploma legal que pudesse normatizar adequadamente a proteção jurídica do patrimônio florestal brasileiro. O Novo Código Florestal foi finalmente sancionado, em 15/09/1965, por meio da edição da Lei nº 4.771, informando-se, no caput de seu Art.1º “As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidades às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do Pais, exercendo-se os direitos de propriedade com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabeleça.                                                         
Analisando o código ambiental atual em vigor há 45 anos, e durante este tempo sofreu várias alterações para que os proprietários de terras se adequassem e fizessem cumprir  as Leis ambientais e muitas vezes não a fizeram cumprir em conseqüência da precária fiscalização, lembrando que na década de 50 iniciou-se um grande incentivo do Governo junto as colonizadoras com o intuito de expandir o progresso adentrando a vasta floresta amazônica, ressaltando que as condições impostas pelo governo aos colonizadores a derrubada de 50% da mata ou perderiam a posse da propriedade, enfim com a edição da Medida provisória nº 1.511, de 25/07/1996, que promoveu algumas alterações quanto a exploração florestal na Região Norte e Norte de Centro-Oeste, como destaque a proibição da prática do corte-raso em 80% da área com cobertura florestal, sem alterar a área de Reserva Legal.                           
Ai está o x da questão, uma das mudanças do Relator do “Novo” Código Florestal Deputado Aldo Rebelo irá amparar proprietários de terras que desmataram os 50 % até 1996, perante a Lei não terão cometidos “crimes ambientais” como o desmatamento.                                           
Seguindo com as alterações, os proprietários de terras poderão incluir as áreas de APPs, Áreas de Preservação Permanentes junto a Reserva Legal. Propriedades de até 4 módulos fiscais, em média 1 módulo tem 76 hectares e não precisarão incluir a sua área de reserva legal um dos principais pontos de convergência entre a comissão de Aldo Rebelo e o Ministério de Meio Ambiente e os ambientalistas.                                                                             
Uma das principais alterações do código florestal em especial a Lei nº 4.771/65 que compreendem as Áreas de Preservação Permanente APP, em que irá diminuir o mínimo de margem ciliar de um rio de até 10m de largura de 30m para 15m de Mata Ciliar, ai está o grande Malefício dessas alterações pois vai em contra mão aos Protocolos de Kyoto, Agenda 21, COP 16 e outros em relação aos compromissos em reduzir a emissão de Gazes de Efeito Estufa, e em outros olhares teremos uma grande problemática em relação a proteção e conservação dos recursos Hídricos essenciais tanto a vida Humana quanto a Biodiversidade, todos sabemos que um grande rio surge de outros pequenos córregos que são seus afluentes, sem contar que 30m já não é suficiente para garantir a proteção necessária a biodiversidade aquática de um rio.                                                                                                       
Com benefícios e malefícios o “novo” código florestal está agendado para ser aprovado na segunda quinzena de Março, pois em abril espira o prazo para a votação. Apesar de todas estas discuções, uma importante estratégia para todos saírem ganhando, seria a melhoria nos órgão fiscalizadores e investimentos com linhas de créditos mais acessíveis aos produtores que precisam recuperar áreas degradadas e uma ótima opção aos proprietários de terras que preservam as florestas em especial os recursos hídricos pagamentos por serviços ambientais.                                                                                                                               

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

COMO ESTÁ A SUA PEGADA AMBIENTAL?

Respondendo a estas perguntas você estará refletindo sobre seu comportamento como consumidor e sobre as consequências ambientais dos seus atos cotidianos.
EM CASA:
1-Quantas pessoas vivem em sua casa?
A (   ) Mais de 3 pessoas
B (   ) 3 pessoas
C (   ) 2 pessoas
D (   ) 1 pessoa
2-Qual é a área aproximada de sua residência?
A (   ) < 40m2 (quarto e sala)
B (   ) 40 a 60m2 (dois quartos)
C (   ) 60 a 120m2 (três quartos)
D (   ) > 120m2 (quatro quartos ou mais)
3-Quantos banhos você toma por dia?
A (   ) 1
B (   ) 2
C (   ) 3
D (   ) Mais de três
4-Em média, quanto tempo você gasta para tomar banho?
A (   ) Menos de 5 minutos
B (   ) Entre 5 a 10 minutos
C (   ) Entre 10 a 15 minutos
D (   ) Mais de 15 minutos
5-Você costuma usar chuveiro elétrico?
A (   ) Não, prefiro tomar, banho frio
B (   ) Sim, somente quanto está fazendo frio
C (   ) Sim, independente da condição climática, mas morno
D (   ) Sempre, e na maior temperatura
6-Você desliga o chuveiro para se ensaboar?
A (   ) Sempre
B (   ) Algumas vezes
C (   ) Nunca
D (   ) Nem lembro
7-Durante a escovação dos dentes você mantém a torneira aberta?
A (   ) Nunca
B (   ) Algumas vezes
C (   ) Sempre
D (   ) Nem lembro
8-Ao sair dos cômodos você costuma apagar as luzes?
A (   ) Sempre
B (   ) Algumas vezes
C (   ) Quase nunca lembro
D (   ) Nunca
9-Em média, quantas vezes você usa a mesma roupa sem lavar?
A (   ) Mais que 2 vezes
B (   ) 2 vezes
C (   ) 1 vez
D (   ) Nenhuma
10-Em média, quantas horas por dia a TV fica ligada em sua casa?
A (   ) Menos que 30 minutos
B (   ) Entre 30 minutos e 1 hora
C (   ) Entre 1 e 2 horas
D (   ) Mais que 2 horas
11-Você deixa aparelhos ligados em stand by?
A (   ) Nunca
B (   ) Algumas vezes
C (   ) Sempre
D (   ) Não sei
12-Você costuma deixar a lâmpada acesa durante a noite?
A (   ) Nunca
B (   ) Algumas vezes
C (   ) Sempre
D (   ) Não sei
13-Em média, quantas horas por dia o computador de sua casa fica ligado?
A (   ) Menos de 30 minutos
B (   ) Entre 30 minutos e 1 hora
C (   ) Entre 1 e 2 horas
D (   ) Mais que 2 horas
14-Sobre o uso do ar-condicionado em casa
A (   ) Não possuo
B (   ) Uso prioritariamente o ventilador
C (   ) Uso em dias mais quentes
D (   ) Uso todos os dias
15-Sobre a compra de roupas e sapatos
A (   ) Compro novos para repor os que estão imprestáveis e priorizo a reciclagem
B (   ) Compro de vez em quando para repor e para ter mais opções
C (   ) Compro freqüentemente
D (   ) Renovo o guarda roupa para manter-me na moda
 16-Quantas vezes por semana você usa a máquina de lavar roupa?
A (   ) Não possuo
B (   ) 1 a 2 vezes
C (   ) 3 vezes
D (   ) Mais que 3 vezes
18-Você costuma demorar muito tempo com a porta da geladeira aberta?
A (   ) Não demoro muito, penso sempre antes no que vou pegar
B (   ) Raras vezes demoro um pouco p/ achar o que quero
C (   ) Muitas vezes me demoro
D (   ) Nem presto atenção
19-você costuma separar seu lixo de acordo com os materiais?
A (   ) Sim, em minha casa uso recipientes apropriados para cada material (vidro, metal e plástico) e levo para reciclagem
B (   ) Separo o lixo orgânico do reciclável
C (   ) Gostaria de fazer mas não há estrutura
D (   ) Não, nunca me importei com isso
20-Em média, como é o tipo de lixo que você produz?
 A (   ) Produzo principalmente lixo orgânico e em pouca quantidade ( pois evito produtos embalados )separo e encaminho para a reciclagem
 B (   ) Produzo lixo normalmente e encaminho para a reciclagem
C (   ) Produzo pouco e não reciclo
D (   ) Produzo muito e não reciclo

SOMATÓRIO
Veja quanto vale cada resposta dada por você, some os pontos e veja em que categoria você se encaixa.
A-1        B-3        C-5        D-7
Até os 60 pontos: Você demonstrou ser uma pessoa totalmente preocupada com o meio ambiente e faz a sua parte para cuidar dela, reformulando seus hábitos de consumo.
De 61 a 120 Pontos: Você demonstrou ser uma pessoa que pensa em seus hábitos de consumo e que se esforça para contribuir com a preservação do meio ambiente.
De 121 a 180 pontos: Você demonstrou ser um consumidor pouco consciente, ainda precisa rever seus hábitos de consumo.
Igual ou maior que 181pontos: Você demonstrou ser uma pessoa totalmente alheia às problemáticas causadas ao maio ambiente, fruto do consumo desenfreado, mude seus hábitos urgentemente, o planeta precisa disso.

DICAS IMPORTANTES PARA O SEU DIA A DIA!
Ainda não temos aterro sanitário em nossa região, mas podemos nos educar adotando alguns hábitos em nosso dia a dia, por exemplo: Ao ir ao supermercado utilizar sacolas de náilon ou utilizar o mínimo possível de sacolas de plástico, não comprar alimentos que estejam armazenados em bandejas de isopor, separar o lixo orgânico e construir uma caixa de compostagem para a produção de matéria orgânica que pode ser utilizado na adubação de plantas residenciais.

O PLANETA AGRADECE!   

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A CARTA DA TERRA

 

A CARTA DA TERRA


PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

Terra, Nosso Lar
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

Desafios Para o Futuro
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.
Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.

Responsabilidade Universal
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relação ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA


1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, em longo prazo, a
prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.

Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessário:
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA


9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não-contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se por conta própria.
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes
desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.
a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com
transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas
atividades.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.

IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ


13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.
a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca
iminente e conjunta por verdade e sabedoria.

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.

Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.

Fonte: Agenda 21